Jornal das Autarquias | Julho 2026 - Nº 225 - I Série

Entrevista ao Presidente da Câmara Municipal de Mourão

João Filipe Cardoso Fernandes Fortes

João Filipe Cardoso Fernandes Fortes

J.A. – O turismo e o sector primário são valorizados nessa autarquia?

P.C.- Sem qualquer dúvida. Falamos de dois sectores estratégicos para o presente e, sobretudo, para o futuro do nosso concelho. Mourão possui características únicas, com uma localização privilegiada junto ao Alqueva, um património histórico e cultural rico e recursos naturais que representam uma forte oportunidade de crescimento e desenvolvimento.

A agricultura continua a ser um dos pilares da economia local, beneficiando das potencialidades do regadio do Alqueva, com destaque para produções de qualidade, como o azeite e o vinho, e para a criação de maior valor através da transformação agroalimentar.

Ao mesmo tempo, Mourão afirma-se cada vez mais como um destino de turismo sustentável e diferenciador, apostando em áreas como o turismo de natureza, o enoturismo, o turismo náutico, a praia fluvial, o agroturismo e experiências ligadas ao território e ao Alqueva.

O nosso compromisso é continuar a valorizar estes sectores, criar condições para atrair investimento e potenciar as oportunidades que permitam gerar riqueza, emprego e desenvolvimento para o concelho.

J.A. – Cada dia que passa, a violência doméstica tem-se tornado um autêntico flagelo. Quais as medidas poderão ser tomadas para que o mesmo seja atenuado?

P.C.- A violência doméstica é uma realidade muito preocupante e que exige uma resposta firme da sociedade. Não podemos normalizar comportamentos que atentam contra a dignidade humana.
Temos de continuar a apostar na prevenção, na educação, na sensibilização e também no reforço dos mecanismos de proteção às vítimas. Mas temos igualmente de trabalhar numa lógica de proximidade entre instituições, escolas, forças de segurança e comunidade.

Desde a assunção de competências nesta área, temos vindo a acompanhar os casos mais complexos e a procurar dar respostas de proximidade às situações que exigem maior atenção e acompanhamento social. É importante garantir que as pessoas não se sintam sozinhas e que encontrem apoio quando mais precisam.
Uma sociedade mais justa constrói-se quando ninguém fica para trás e quando todos assumimos responsabilidades.

J.A. – Esta situação está a tornar-se quase um hábito, inclusive nos jovens em situação de namoro. Qual a vossa opinião?

P.C.- É uma situação que merece uma reflexão muito séria. Quando vemos comportamentos abusivos a surgir cada vez mais cedo, percebemos que existe um trabalho importante a fazer ao nível dos valores e da educação.

Os jovens têm de perceber que respeito, confiança e liberdade fazem parte de qualquer relação saudável. Temos de continuar a sensibilizar e a alertar para situações que muitas vezes começam de forma aparentemente simples, mas que podem ter consequências muito graves.

Nesse sentido, temos procurado desenvolver ações concretas no concelho, dinamizando seminários e iniciativas de sensibilização, bem como estabelecendo protocolos e parcerias nesta área, porque acreditamos que a prevenção e a informação são fundamentais para combater este problema desde cedo.

J.A. – Que recursos financeiros necessitam as populações mais enfraquecidas nessa autarquia?

P.C.- As populações mais vulneráveis precisam, acima de tudo, de respostas concretas e próximas das suas necessidades. Falo de apoio social, habitação, saúde, mobilidade, emprego e qualidade de vida.
Nos territórios do interior temos desafios acrescidos e é importante continuarmos a lutar por maior investimento e por políticas diferenciadas. Temos de criar condições para que as pessoas possam viver com dignidade e para que tenham oportunidades de construir o seu projeto de vida no nosso território.

J.A. – Como reagiu essa autarquia com a chegada de imigrantes, mesmo depois de terem sido tomadas novas medidas para regular a sua entrada no país? Qual a vossa opinião sobre este assunto?

P.C.- Vivemos num território que enfrenta desafios demográficos importantes e a chegada de novos residentes pode representar uma oportunidade de crescimento e dinamização económica. No entanto, importa referir que, no caso concreto do concelho de Mourão, esse fenómeno ainda não se tem manifestado de forma muito expressiva.

Naturalmente, qualquer processo deste tipo deve acontecer de forma equilibrada, organizada e responsável. Defendo uma integração assente no respeito pelas pessoas, mas também no respeito pelas comunidades que acolhem.

O mais importante é garantir coesão social e criar condições para que todos possam contribuir positivamente para o desenvolvimento do território.

J.A. – O que pensa sobre as medidas que o Governo quer implementar sobre o parque habitacional?

P.C.- A habitação é uma das maiores preocupações das famílias portuguesas e qualquer medida que permita aumentar a oferta e facilitar o acesso merece atenção.

Mas temos de olhar para os territórios de forma diferenciada. A realidade do interior não é igual à dos grandes centros urbanos. Precisamos de políticas adaptadas à realidade local e que permitam atrair e fixar pessoas. Fixar população continuará a ser uma prioridade.

J.A. – Os preços dos bens alimentares e outros cada vez estão mais altos. Que medidas acha que o Governo deve tomar?

P.C.- O aumento do custo de vida afeta diretamente as famílias e gera dificuldades acrescidas, sobretudo para quem tem rendimentos mais reduzidos.

É importante proteger o poder de compra das famílias, apoiar quem mais necessita e criar medidas que permitam maior estabilidade económica.

Temos de continuar atentos à realidade das pessoas, porque são elas que estão no centro de qualquer política pública.

J.A. – Com as tempestades ocorridas neste inverno, as derrocadas provocadas pela degradação dos terrenos, a chegada do tempo quente e consequentes incêndios, como pensa atuar para minimizar esta situação?

P.C.- Hoje somos obrigados a olhar para estas questões com enorme responsabilidade e sentido preventivo.

Temos vindo a reforçar ações de limpeza, gestão de combustível, manutenção de caminhos e articulação com Proteção Civil e Bombeiros.

Sabemos que ainda há muito a fazer. Não podemos esperar pelos problemas para agir. A prevenção continua a ser o melhor investimento que podemos fazer.

J.A. – Que problemas mais prementes necessitam de intervenção rápida nessa autarquia?

P.C.- A fixação da população, a criação de emprego, a habitação e a atração de investimento continuam a ser alguns dos desafios mais importantes para o nosso concelho. Nos territórios do interior temos de trabalhar diariamente para criar condições que permitam às pessoas viver, trabalhar e construir aqui o seu futuro.

Mas não basta identificar os desafios; é preciso criar respostas concretas. Nesse sentido, temos vindo a desenvolver ferramentas e estratégias que permitam tornar Mourão mais atrativo para quem quer investir e criar valor no nosso território.

O Guia do Investidor surge precisamente com esse objetivo: disponibilizar informação clara, dar a conhecer as potencialidades do nosso concelho, simplificar procedimentos e criar uma maior proximidade com empresários e investidores que possam olhar para Mourão como um território de oportunidades.

Ao mesmo tempo, o novo Plano Diretor Municipal (PDM) assume uma importância fundamental na definição do futuro do concelho. O PDM é uma ferramenta estratégica essencial para orientar o crescimento de forma equilibrada, permitindo criar condições para investimento, responder às necessidades habitacionais, valorizar os nossos recursos e garantir um desenvolvimento sustentável do território.

Temos sido exigentes connosco próprios porque sabemos que ainda existe muito trabalho pela frente. Mas também sabemos que Mourão tem um enorme potencial e não nos podemos conformar com pouco.

O nosso compromisso é continuar a criar oportunidades, atrair investimento e construir um concelho mais dinâmico, mais competitivo e com mais futuro para todos.

J.A. – Como está a situação financeira da autarquia neste mandato?

P.C.- Temos procurado fazer uma gestão responsável, rigorosa e equilibrada dos recursos municipais.
A boa gestão financeira não é um fim em si mesmo; é uma ferramenta que nos permite investir, concretizar projetos e responder às necessidades das populações.
Continuaremos a gerir com responsabilidade, mas também com ambição para o futuro.

J.A. – Qual o apoio que a Câmara Municipal presta às juntas de freguesia?

P.C.- As juntas de freguesia são parceiros fundamentais pela proximidade que têm às populações.
Temos procurado manter uma relação de cooperação permanente e de grande articulação, garantindo apoio financeiro, operacional e institucional, porque acreditamos que trabalhando em conjunto conseguimos chegar mais longe.

J.A. – Que mensagem quer transmitir à população da sua autarquia?

P.C.- Quero deixar uma mensagem de confiança e de agradecimento.
Temos plena consciência da responsabilidade que assumimos diariamente. Continuaremos a trabalhar com dedicação, proximidade e sentido de missão, sempre com o objetivo de melhorar a vida das pessoas.

Sabemos que ainda existe muito por fazer. Muito por construir. Muito por recuperar. Mas também sabemos que Mourão está no caminho certo e que, juntos, conseguiremos continuar a construir um concelho com mais oportunidades, mais qualidade de vida e mais futuro para todos.

J.A. – O Jornal das Autarquias existe desde 2007! Quer deixar-nos a sua opinião sobre o trabalho do mesmo?

P.C.- O Jornal das Autarquias desempenha um papel importante na valorização do poder local e na divulgação do trabalho desenvolvido pelos municípios.

É fundamental existirem espaços que aproximem os cidadãos das realidades locais, dos desafios e dos projetos que diariamente ajudam a transformar os territórios.

Desejo a continuação de um trabalho sério, próximo e de valorização das comunidades locais.

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