Jornal das Autarquias | Julho 2026 - Nº 225 - I Série

Entrevista ao Presidente da Câmara Municipal de Vendas Novas

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Ricardo Manuel Coelho Videira

J.A.- O turismo e o sector primário são valorizados nessa autarquia?

P-C -Sem dúvida. O turismo e o sector primário são duas áreas estratégicas para o desenvolvimento do concelho. No caso do turismo, temos vindo a trabalhar na valorização do património, da cultura, dos eventos e da nossa identidade local, procurando criar motivos para que mais pessoas visitem Vendas Novas e permaneçam mais tempo no território.
Relativamente ao sector primário, reconhecemos a sua importância económica, social e ambiental. A agricultura, a pecuária e as atividades associadas continuam a desempenhar um papel fundamental na fixação de população, na criação de riqueza e na preservação da paisagem.
O nosso papel, enquanto autarquia, é criar condições para que estes setores possam desenvolver-se de forma sustentável e competitiva, pelo que durante o presente mandato pretendemos apoiar a criação de uma Associação de Agricultores que se possa constituir como um interlocutor e parceiro estratégico nesta área.

J.A- Cada dia que passa, a violência doméstica tem-se tornado um autêntico flagelo. Quais as medidas poderão ser tomadas para que o mesmo seja atenuado?

P-C -A violência doméstica é um problema grave que exige uma resposta articulada entre diversas entidades. A prevenção passa, desde logo, pela educação, pela sensibilização e pela promoção de uma cultura de respeito e igualdade.
É fundamental reforçar os mecanismos de apoio às vítimas, garantir respostas rápidas e eficazes e continuar a desenvolver ações junto das escolas e da comunidade. Nenhuma forma de violência pode ser tolerada e todos temos um papel a desempenhar na sua prevenção e combate, pelo que contamos criar um Núcleo de Intervenção Local para a Área da Violência Doméstica.

J.A.- Esta situação está a tornar-se quase um hábito, inclusive nos jovens em situação de namoro. Qual a vossa opinião?

P-C -É uma realidade que nos preocupa particularmente. Muitas vezes, comportamentos de controlo, manipulação ou agressividade são desvalorizados ou confundidos com demonstrações de afeto, quando na verdade constituem sinais de relações pouco saudáveis.
A melhor forma de atuar é através da educação e da sensibilização dos mais jovens. É importante promover valores como o respeito mútuo, a igualdade e a liberdade individual, ajudando os jovens a identificar comportamentos abusivos e a construir relações baseadas na confiança.

J.A.- Que recursos financeiros necessitam as populações mais enfraquecidas (a vários níveis) nessa autarquia?

P-C -As populações mais vulneráveis necessitam, acima de tudo, de respostas que lhes permitam recuperar autonomia e qualidade de vida. Isso passa por apoios na área da habitação, da saúde, da educação, da mobilidade e da ação social.

Enquanto autarquia, procuramos trabalhar em proximidade com as famílias e com as instituições locais para identificar necessidades e encaminhar os recursos disponíveis da forma mais eficaz possível. O objetivo não é apenas apoiar em situações de emergência, mas também criar oportunidades que permitam ultrapassar situações de fragilidade.

J.A.- Como reagiu essa autarquia com a chegada de imigrantes, mesmo depois de terem sido tomadas novas medidas para regular a sua entrada no país. Qual a vossa opinião sobre este assunto?

P-C -A imigração é uma realidade que deve ser encarada com responsabilidade e equilíbrio. Portugal precisa de garantir uma gestão organizada dos fluxos migratórios, mas também deve assegurar condições de integração para quem escolhe o nosso país para viver e trabalhar.

Em Vendas Novas temos desafios muito relevantes na integração de uma comunidade imigrante numerosa e proveniente de contextos culturais e sociais bastante distintos. Esta realidade exige equilíbrio, responsabilidade e capacidade de resposta por parte de todas as instituições.

O Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes constitui uma das respostas mais visíveis no terreno, prestando apoio técnico em questões administrativas e promovendo uma melhor integração de quem escolhe Vendas Novas para viver e trabalhar. Paralelamente, o Agrupamento de Escolas e diversas instituições locais têm desenvolvido iniciativas que promovem o conhecimento mútuo, o respeito pela diversidade e uma convivência harmoniosa entre quem chega e quem já faz parte da nossa comunidade.

A integração bem-sucedida exige direitos, mas também deveres. É fundamental que todos respeitem as leis, os valores e as regras de convivência da sociedade portuguesa.

J.A.- O que pensa sobre as medidas que o Governo quer implementar sobre o parque habitacional?

P-C -A habitação é atualmente um dos maiores desafios que o país enfrenta. Qualquer medida que contribua para aumentar a oferta de habitação, facilitar o acesso à mesma e apoiar as famílias merece ser analisada de forma positiva.

No entanto, é importante que as políticas públicas tenham em conta as realidades específicas de cada território. Os municípios devem ser parceiros ativos neste processo, porque conhecem de perto as necessidades das suas populações e podem contribuir para encontrar soluções mais eficazes.

J.A.- Os preços dos bens alimentares e outros cada vez estão mais altos. Que medidas acha que o Governo deve tomar?

P-C -O aumento do custo de vida tem tido um impacto significativo nas famílias. É importante continuar a promover medidas que protejam o rendimento disponível dos cidadãos, especialmente dos mais vulneráveis.

Ao mesmo tempo, é necessário criar condições para o crescimento económico, para o aumento da produtividade e para o reforço da competitividade das empresas. O equilíbrio entre apoio social e desenvolvimento económico é essencial para responder de forma sustentável a este desafio.

J.A.- Com as tempestades ocorridas neste Inverno, resultantes das derrocadas provocadas pela degradação dos terrenos, da chegada do tempo quente e consequentes incêndios, como pensa atuar para minimizar esta situação?

P-C -A prevenção é sempre a melhor resposta. Temos procurado reforçar as ações de limpeza e gestão de combustível, a manutenção de caminhos e infraestruturas e a articulação permanente com os agentes de proteção civil.

As alterações climáticas exigem uma capacidade de adaptação cada vez maior. Por isso, continuaremos a investir na prevenção, no planeamento e na sensibilização da população, procurando reduzir riscos e aumentar a capacidade de resposta perante situações de emergência.

J.A.- Que problemas mais prementes necessitam de intervenção rápida nessa autarquia?

P-C -Tal como acontece em muitos municípios, existem desafios importantes nas áreas da habitação, da mobilidade, da valorização do espaço público e da captação de investimento.

Existem, no entanto, questões particularmente urgentes às quais estamos a dedicar especial atenção. Refiro-me aos processos de licenciamento urbanístico, que apresentavam atrasos significativos quando iniciámos funções, à necessidade de melhorar a resposta na manutenção do espaço público e ao reforço da capacidade operacional de serviços municipais essenciais, como os espaços verdes, os cemitérios e a conservação urbana.

A nossa prioridade nesta fase é recuperar capacidade de resposta, melhorar a qualidade dos serviços prestados aos munícipes e criar uma estrutura municipal mais eficiente e preparada para os desafios futuros.

J.A.- Como está a situação financeira da autarquia neste mandato?

P-C -A situação financeira da Câmara Municipal é acompanhada com rigor, responsabilidade e transparência. Temos procurado garantir o equilíbrio das contas públicas sem comprometer a capacidade de investimento necessária ao desenvolvimento do concelho.

Existe, contudo, um desafio estrutural que não podemos ignorar: a reduzida capacidade de geração de receita para financiar novos investimentos. Esta realidade terá de ser ultrapassada através de uma maior dinâmica de desenvolvimento económico e urbanístico, da captação de investimento e da implementação de medidas de gestão que reforcem a sustentabilidade financeira do Município.

Nem todas as decisões necessárias serão as mais fáceis ou populares, mas temos a responsabilidade de garantir um concelho financeiramente mais robusto e preparado para responder às necessidades das gerações futuras.

J.A.- Qual o apoio que a Câmara Municipal presta às Juntas de Freguesia?

P-C -As Juntas de Freguesia são parceiros fundamentais na resposta às necessidades das populações. Mantemos uma relação de proximidade e cooperação institucional, apoiando-as financeiramente e através de diversos meios técnicos e logísticos.

Acreditamos que o trabalho articulado entre Câmara Municipal e Juntas de Freguesia permite chegar mais perto das pessoas e resolver problemas com maior rapidez e eficácia.

J.A.- Que mensagem quer transmitir à população da sua autarquia?

P-C -Quero agradecer a confiança, a participação e o espírito de comunidade que caracterizam os munícipes de Vendas Novas.

Podem continuar a contar com uma Câmara Municipal próxima, disponível para ouvir, dialogar e trabalhar em conjunto na construção de um concelho cada vez mais desenvolvido, mais inclusivo e com melhores oportunidades para todos. O nosso compromisso é continuar a servir a população com dedicação, responsabilidade e sentido de missão.

J.A.- O Jornal das Autarquias existe desde 2007. Quer deixar-nos a sua opinião sobre o trabalho do mesmo?

P-C -O Jornal das Autarquias tem desempenhado um papel relevante na divulgação do trabalho desenvolvido pelos municípios e das temáticas que marcam a administração local em Portugal.

Num contexto em que a informação de proximidade assume uma importância crescente, é fundamental existirem órgãos de comunicação social especializados que acompanhem a realidade autárquica, promovam o debate e contribuam para uma cidadania mais informada. Felicito o Jornal das Autarquias pelo percurso realizado e desejo a continuação de um trabalho de qualidade ao serviço do poder local.

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