Jornal das Autarquias | Julho 2026 - Nº 225 - I Série

Entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia de Sobral da Adiça

Hélder Manuel Túbal Raposo

Hélder Manuel Túbal Raposo

J.A. – O turismo e o sector primário são valorizados nessa autarquia?

P.J.- Sem dúvida. A Freguesia de Sobral da Adiça tem uma forte ligação ao sector primário, nomeadamente à agricultura e à pecuária, atividades que continuam a desempenhar um papel fundamental na economia local. Paralelamente, temos procurado valorizar o nosso património histórico, cultural e natural, promovendo iniciativas que contribuam para a afirmação do turismo em espaço rural, potenciando a divulgação do nosso território e das suas tradições.

J.A. – Cada dia que passa, a violência doméstica tem-se tornado um autêntico flagelo. Quais as medidas poderão ser tomadas para que o mesmo seja atenuado?

P.J.- A violência doméstica é um problema grave que exige uma resposta conjunta de toda a sociedade. A prevenção passa pela educação, sensibilização e promoção de valores de respeito e igualdade desde a infância. É igualmente importante reforçar os mecanismos de apoio às vítimas, garantindo proteção, acompanhamento psicológico e apoio jurídico, bem como uma articulação eficaz entre as entidades competentes.

J.A. – Esta situação está a tornar-se quase um hábito, inclusive nos jovens em situação de namoro. Qual a vossa opinião?

P.J.- É uma realidade preocupante. Verificamos que comportamentos de controlo, ciúme excessivo e violência psicológica surgem cada vez mais cedo nas relações entre jovens. Consideramos fundamental investir na educação para a cidadania, no respeito mútuo e na igualdade de género, promovendo ações de sensibilização junto das escolas e da comunidade para prevenir estes comportamentos.

J.A. – Que recursos financeiros necessitam as populações mais enfraquecidas (a vários níveis) nessa autarquia?

P.J.- As populações mais vulneráveis necessitam de apoios diversificados, que passam pelo acesso à habitação, saúde, alimentação, transportes e apoio social. É igualmente importante garantir respostas que promovam a inclusão social, o emprego e o envelhecimento ativo, contribuindo para uma melhor qualidade de vida e para a redução das desigualdades.

J.A. – Como reagiu essa autarquia com a chegada de imigrantes, mesmo depois de terem sido tomadas novas medidas para regular a sua entrada no País? Qual a vossa opinião sobre este assunto?

P.J.- A imigração constitui uma realidade cada vez mais presente nas zonas rurais. No caso do Sobral da Adiça, este fenómeno ainda não assume uma expressão muito significativa, uma vez que a atividade agrícola predominante continua a ser a agricultura de sequeiro. Contudo, durante os períodos de maior necessidade de mão de obra, nomeadamente na época da colheita da azeitona, muitos empresários agrícolas recorrem a trabalhadores imigrantes sazonais para garantir a realização das campanhas agrícolas.

A escassez de mão de obra é atualmente uma realidade transversal a praticamente todos os setores de atividade e constitui um dos principais desafios enfrentados pelos territórios do interior. Neste contexto, a imigração pode desempenhar um papel importante na resposta às necessidades do mercado de trabalho, devendo, naturalmente, decorrer de forma organizada, regulada e promotora da integração social e comunitária.

J.A. – O que pensa sobre as medidas que o Governo quer implementar sobre o parque habitacional?

P.J.- O acesso à habitação é um dos maiores desafios atuais. Consideramos importante que as medidas governamentais contribuam para aumentar a oferta de habitação acessível, promover a reabilitação urbana e apoiar as famílias com maiores dificuldades. Nos territórios do interior é igualmente necessário criar incentivos que favoreçam a fixação de população e a recuperação de imóveis devolutos.

J.A. – Os preços dos bens alimentares e outros estão cada vez mais caros. Que medidas acha que o Governo deve tomar?

P.J.- O aumento do custo de vida afeta particularmente as famílias com menores rendimentos. Consideramos importante a adoção de medidas que promovam o aumento do rendimento disponível das famílias, a redução da carga fiscal sobre bens essenciais e o apoio aos setores produtivos, contribuindo para a estabilidade dos preços e para a proteção do poder de compra dos cidadãos.

J.A. – Com as tempestades ocorridas neste Inverno, do tempo quente e consequentes incêndios, como pensa atuar nestes flagelos?

P.J.- A prevenção continua a ser a melhor resposta. Em articulação com a Câmara Municipal, Proteção Civil, Bombeiros e restantes entidades, procuramos assegurar a manutenção de caminhos rurais, a limpeza de espaços públicos e a sensibilização da população para comportamentos preventivos. É essencial continuar a investir na preparação e na capacidade de resposta perante fenómenos climáticos cada vez mais frequentes e intensos.

J.A. – Que problemas mais prementes necessitam de intervenção rápida nessa autarquia?

P.J.- Entre os desafios mais importantes destacamos o combate ao despovoamento, a fixação de jovens e famílias, a melhoria das acessibilidades, a manutenção das infraestruturas locais e o reforço dos serviços de proximidade. São questões fundamentais para garantir a sustentabilidade e o desenvolvimento do território.

J.A. – Como está a situação financeira da autarquia neste mandato?

P.J.- A situação financeira da Junta de Freguesia de Sobral da Adiça tem sido gerida com rigor, responsabilidade e transparência. Procuramos assegurar o equilíbrio das contas públicas, garantindo simultaneamente a realização de investimentos e a prestação de serviços que respondam às necessidades da população.

J.A. – Qual o apoio que recebem da Câmara Municipal as juntas de freguesia?

P.J.- A colaboração com a Câmara Municipal de Moura é importante para a concretização de diversos projetos e iniciativas. Através de protocolos de delegação de competências, apoio financeiro, cedência de equipamentos e colaboração técnica, tem sido possível responder a muitas das necessidades da freguesia e melhorar as condições de vida da população.

J.A. – O Jornal das Autarquias existe desde 2007. Quer deixar-nos a sua opinião sobre o trabalho do mesmo?

P.J.- O Jornal das Autarquias desempenha um papel relevante na divulgação do trabalho desenvolvido pelas autarquias locais e na promoção do debate sobre os desafios que se colocam aos territórios. Ao longo dos anos tem contribuído para dar visibilidade às boas práticas, aos projetos e às iniciativas que valorizam o poder local. Aproveitamos para felicitar toda a equipa pelo trabalho realizado desde 2007 e desejar a continuação de muito sucesso.

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